Por todas nós, mulheres!

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Se a violência contra as mulheres é a pior expressão do machismo, a construção de uma sociedade mais justa e igualitária perpassa por combatê-la. Assim, o 25 de novembro – Dia Internacional de Luta Contra a Violência sobre a Mulher – tem muita relevância. A violência sexista vem, em sua maioria, de pessoas muito próximas e ocorre em todo lugar, o que a torna ainda mais difícil de combater.

Quando governamos Fortaleza, criamos a Coordenadoria de Políticas para as Mulheres, o Centro de Referência Francisca Clotilde e a Casa Abrigo, além de instituir atendimento especializado no SUS e no Hospital da Mulher, conforme consta na Lei Maria da Penha. Criada há 10 anos pelo presidente Lula, é a primeira lei que caracteriza a violência doméstica e familiar, prevê punições e impõe medidas protetivas.

Mas o crime também avança. Temos assistido a uma série de denúncias da chamada “Cultura do Estupro”. E, embora as redes sociais tenham eclodido como espaço de denúncia da violência sexista, a internet também deu abertura a violências de difícil denúncia, como a pornografia da vingança.

Há ainda o feminicídio: assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher! Em 2015, a presidente Dilma sancionou a Lei 13.104/2014, considerando-o crime hediondo. De acordo com o Mapa da Violência 2015, a cada duas horas uma mulher é morta no Brasil. Segundo estimativa da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Ceará, 6 a cada 10 mulheres mortas são vítimas de feminicídio. Até a última quinta-feira, a Polícia já havia registrado 184 assassinatos de mulheres no Ceará neste ano.

Neste mês, o Projeto de Lei 4614/2016, que inclui a Polícia Federal na investigação de crimes que difundem misoginia na internet, de nossa autoria, foi aprovado por consenso na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. E assim temos trabalhado no nosso mandato, sempre atuando em defesa do direito das mulheres. Com o avanço do conservadorismo no Brasil e no mundo, lutar para o cumprimento da Lei do Feminicídio e contra toda e qualquer forma de violência contra as mulheres é garantir uma vida digna para todas. Essa luta é nossa.

Luizianne Lins

*Artigo publicado originalmente no jornal O Povo, dia 25/11 – http://migre.me/vA2W5

 

Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres

O 25 de novembro é uma data importante para nós mulheres, militantes e feministas – momento de dar maior destaque ao combate à violência, onde iniciamos internacionalmente a Campanha dos 16 Dias de Ativismo pela NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. Concentramos esforços e colocamos na pauta do dia, envolvemos homens e mulheres na luta que fazemos todos os dias. No Brasil a violência contra a mulher não se restringe a um caso ou tipologia, é de uma diversidade incrível, e mesmo com todo o avanço legislativo, a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, o empoderamento das mulheres, o rompimento com o silêncio e a realização da primeira denúncia, a violência avança e está relacionada com as relações desiguais de poder entre homens e mulheres. As mulheres, diariamente, têm seus direitos mais elementares violados, sua vida, liberdade e seu corpo.

Aqui no Brasil iniciamos a Campanha um pouco antes do calendário internacional, no dia da Consciência Negra (20/11), data fundamental para iniciarmos a luta, a reflexão e discussão sobre o respeito às mulheres. A questão étnico-racial só agrava a misoginia que agride e mata mulheres todos os dias.

A violência doméstica contra mulheres negras aumentou em 54% na última década (2003 – 2013) enquanto que em relação às mulheres brancas diminuiu 9,8%.

Mulheres Negras                    Mulheres Brancas

1.864 – 2003                           1.747 – 2003

2.875 – 2013                          1.576 – 2013

Aumentou 54%                      Diminuiu 9,8%

Realizamos como atividade da campanha (16 dias), uma audiência pública para discutir o caso contra uma mulher negra, quilombola, conhecido como CASO GRACINHA. Não quero tratar de cada caso específico, mas não há como conter a indignação e tristeza que salta em nós e nos toma com cada caso que assistimos. E como falei, vai agregando requintes de crueldade à condição de mulher. Gracinha teve suas filhas arrancadas de seu convívio de forma brutal e arbitrária pela justiça sob as justificativas mais injustificáveis. Fruto do preconceito, desinformação e não reconhecimento da nossa origem e cultura. Dizer que uma mãe não tem condições de criar suas filhas sob uma das alegativas: “é descendente de escravos, sua cultura não primava pela qualidade de vida, era inerte em relação aos cuidados básicos de saúde, higiene e alimentação” – é algo que não podemos admitir!

Além de tudo isso, após a realização de uma audiência para denunciar a violência institucional do Caso Gracinha, ao finalizar as nossas convidadas foram barradas em todas as recepções e portarias da Casa do Povo, mesmo, portanto os “vauches” da Câmara. Qual a razão? Será porventura pela cor da sua pele?

Às tantas Gracinhas, eu gostaria de nesse momento de indignação, falar de que sei como você se sente, que me solidarizo a sua dor, mas não posso! Não posso porque sou branca, venho de uma família branca, de uma mãe professora e um pai servidor público que tiveram condições de me proporcionar uma vida diferente da sua. Não posso, porque tenho um filho que foi criado por mim, ninguém arrancou ele de mim por motivo algum, sob alegativa ou questionamento da minha escolaridade ou cultura, dos cuidados dispensados com saúde, alimentação e higiene que proporcionei a ele. Eu jamais saberei a dor que você e suas meninas sofreram e sofrem.

Dessa forma, enquanto mulher e membro dessa Casa, exigimos que se retratem com Gracinha e suas filhas, permitindo que a mãe recupere a guarda de suas filhas, o direito de cuidar, amar e acompanhar cada fase de suas vidas, cada descoberta, aprendizado e crescimento. E a essas meninas, cessar imediatamente com os seguidos atos de violência cometidos. Vocês tem ideia do que é isso? Ser retirada da sua mãe, da sua rotina, da sua escola, do seu lar, convívio familiar, principalmente sob as justificativas não justificáveis, de forma arbitrária. Pensem como fica a cabeça, o emocional e psicológico dessas crianças, as referências construídas – é preciso que voltem ao convívio familiar e que seja garantido atendimento e acompanhamento psicossocial de ambas.

Como escreveu Simas: “Nós, os brancos, precisamos urgentemente nos livrar da nossa doença profunda e corrosiva, que é alimentada desde o berço e reforçada cotidianamente, na escola, nas ruas e no mercado de trabalho: o complexo de superioridade”.

Fanon já dizia que “o racismo e o colonialismo devem ser entendidos como modos socialmente gerados de ver o mundo e viver nele, ressaltando que a colonização gerou sociedades psicologicamente doentes”.

Na CMVCM, onde ocupo a relatoria, recebemos demandas de violações dos mais diversos segmentos e condições que as mulheres estão inseridas. Realizamos esse ano uma audiência pública para discutir a violência no campo, que se agrava devido a várias especificidades, onde as faces da violência perpassam também o cotidiano das trabalhadoras, do problema agrário, de acesso, direito e cultivo à terra e preservação das florestas. Essas mulheres têm suas vidas fortemente marcadas pelas características dos lugares em que vivem. E quanto mais distante dos centros urbanos, dos serviços públicos de atendimento e do acesso à informação, mais limites são impostos, maiores são as influências e condições da reprodução do machismo, da impunidade dos agressores e da invisibilidade dos casos. As situações de violência não ocorrem apenas quando se tornam visíveis e são divulgadas na mídia.

A violência doméstica (meus companheiros e companheiras), saiu da esfera privada, não se trata apenas de uma briga de marido e mulher, é um problema social e político. É um problema nosso! Nenhum direito a menos!

Então companheiras, a luta é grande! Ela vem desde a superação de vivermos apenas a condição de dona de casa, tendo muito a superar! A divisão sexual do trabalho nos coloca no lugar do doméstico, por isso muitas de nós vivemos a sobrecarga, o acúmulo de papeis sociais; somos mães, filhas, educadoras, cuidadoras da família, companheiras, donas de casa, cuidamos da roça, das criações, somos trabalhadoras, políticas; enfim temos duplas e triplas jornadas de trabalho, remunerado e não remunerado.

Não há como negar as conquistas feministas, elas trazem autonomia pessoal para todas as mulheres, mas dependendo do lugar que ocupamos na sociedade, nas relações sociais e econômicas, temos maior ou menor potencial de opressão e violência. É preciso conquistar a autonomia, lutar contra as opressões e desigualdades históricas, de caráter econômico, político, cultural, de gênero, orientação sexual, geração, deficiência, raça e etnia.

Durante a campanha teremos ainda a audiência a ser realizada, com outro segmento fortemente excluído, as mulheres trans. Acontecerá dia 30 e convidamos a todas e todos para deixarem suas máscaras e preconceitos em casa e virem conversar com a gente, conhecer a realidade em que vivem essas mulheres.

Mulheres são mulheres em qualquer circunstância e mesmo não estando diariamente na mídia, a violência está fortemente presente no nosso cotidiano e se agrava em virtude das dificuldades do alcance das políticas públicas, do reconhecimento da violência e da forte discriminação de gênero que o silêncio esconde.

A violência e suas múltiplas expressões são responsáveis pelo silêncio que esconde as barbaridades sofridas por mulheres e meninas. É preciso romper com o silêncio e dar um basta à cultura machista, racista, lesbofóbica e assim acabar com a violência.

Do ponto de vista político e também institucional, os desafios são muitos e grandiosos, assim persiste a necessidade de organização e fortalecimento dos movimentos de mulheres e feministas, a radicalização da democracia e defesa irrestrita dos direitos humanos.

Felizmente, a organização das mulheres vem contribuindo para as mudanças de comportamento da sociedade.

E indiscutivelmente nos anos do governo Lula e Dilma houve uma estruturação de políticas públicas de enfrentamento a violência contra a mulher, além da abertura de diálogos com movimentos feministas e de mulheres que influenciaram muito do que temos em termos de sistematização para as diretrizes de enfrentamento a essa questão tão presente em nossa história.

Ainda é pouco e todos os avanços estão hoje sob ameaça de um governo conservador e que tem trabalhado para desconstituir os direitos e conquistas das mulheres.

É a resistência, é a luta, é o conhecimento de seus direitos e das leis, que fazem a mulher superar as situações adversas, a violência física, psicológica e encorajar para tomar decisões em favor da sua vida e de seus descendentes.

Não a qualquer forma de violência contra a mulher! Sim aos direitos humanos das mulheres. Sim à justiça de gênero. Sim à igualdade de direitos. Sim à participação social e política das mulheres em todos os níveis.

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

Luizianne Linsbalada-mmk_logosfcd

 

Debate público sobre o caso Gracinha

Nesta quarta-feira (23/11), às 10h, acontece na Câmara Federal audiência pública para discutir violações de direitos contra a quilombola Maria das Graças de Jesus, que, por determinação do Ministério Público de Santa Catarina, motivado por denúncia anônima, perdeu a guarda das duas filhas. A iniciativa é da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres e a deputada Luizianne Lins é uma das autoras do requerimento.

Em 2014, o Ministério Público de Santa Catarina decidiu, a partir de uma denúncia anônima, retirar a guarda das filhas de Maria das Graças de Jesus, quilombola da comunidade Toca de Santa Cruz, localizada no município de Paulo Lopes. De acordo com denúncia do Movimento Negro Unificado (MNU), o processo, que agora corre em segredo de justiça, “atropelou os direitos individuais da mãe, das crianças e das populações quilombolas”.

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Luizianne pede convocação de Geddel por denúncias de Calero

A deputada federal Luizianne Lins (PT/CE) apresentou nesta terça-feira (22) requerimento solicitando ao Plenário da Câmara dos Deputados a convocação do atual ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para prestar esclarecimentos sobre denúncias feitas pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, ao jornal “Folha de São Paulo”, no último sábado (19).

Na reportagem, Marcelo Calero relata supostas pressões no sentido de liberar a construção do edifício “La Vue Ladeira da Barra”, em região histórica de Salvador, do qual o ministro Geddel seria proprietário de um dos apartamentos, contra entendimento do corpo técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A entrevista do ex-ministro da Cultura fornece numerosos detalhes de todo o processo que levou ao seu pedido de exoneração. De acordo com o jornal “Folha de São Paulo”, os eventos se desenvolveram desde junho de 2016, logo após a sua posse de Calero no MinC.

Segundo Luizianne, as acusações são graves e é preciso apuração rigorosa. “A vinda do ministro à Câmara é crucial para obtermos os esclarecimentos sobre o caso e suposto crime”, afirmou.

Veja repercussão na imprensa:

http://migre.me/vz2mT

http://migre.me/vz2nB

http://migre.me/vz2of

 

A entrega do Pré-Sal

O Pré-Sal, anunciado em 2007, fica entre o norte de Santa Catarina e sul do Espírito Santo. Pesquisas indicam a descoberta de 15 bilhões de barris na camada de pré-sal, mas que podem chegar a 50-100 bilhões de barris de petróleo no futuro. Hoje o Brasil extrai 864 milhões de barris/ano.

O Projeto de Lei do Senador José Serra, já aprovado na Câmara, revoga a participação obrigatória da Petrobrás na exploração do pré-sal, tirando da estatal a obrigatoriedade de explorar no mínimo 30% dos campos licitados. É a abertura para exploração das sete multinacionais que comandam o Petróleo no mundo (Shell, Mobil, Esso, Texaco, British Petroleum, Chevron e Gulf Oil).

Além de atender aos interesses internacionais que hoje só podem entrar no pré-sal com a Petrobrás sendo a operadora, significa o desfalecimento da indústria nacional que fornece equipamentos de exploração, como plataformas e sondas, consequentemente, redução de emprego e renda, forçando o país a importar, cada vez mais, tais equipamentos.

Hoje, não há necessidade de acelerar os leilões de exploração,
temos mais de 14 anos de reservas garantidas com o Petróleo já descoberto no passado e os Estados de SP, RJ, ES e SC não teriam Royaties imediatos. Ilusão.

A desmoralização da Petrobrás (uma das 10 maiores do mundo no setor e que obteve lucros de mais de R$ 260 bilhões entre 2004-2013) faz parte de uma engenhosa estratégia que nos fará perder autonomia diante da maior descoberta de jazidas de petróleo do século 21. A história cobrará e os traidores da Constituição serão julgados como aqueles que entregaram as riquezas do País às elites internacionais e perderam a oportunidade de melhorar a saúde e a educação de nosso povo.

Luizianne Lins
Deputada Federal

*Artigo publicado originalmente no jornal O Estado, em 15/11/2016 http://migre.me/vwhuD