Jovem negro tem quatro vezes mais chances de ser morto no Ceará

materia racismo

De acordo com a pesquisa, a prevalência de jovens negros serem mais vítimas de assassinatos do que jovens brancos é uma tendência nacional: em média, jovens negros têm 2,5 mais chances de morrer do que jovens brancos no País. Chama a atenção no relatório o caso do Paraná, que se destaca como o único em que o risco de um jovem negro ser assassinado é inferior ao de um jovem branco.

Os dados do estudo são de 2012. A pesquisa classifica as 27 unidades da federação de acordo com a vulnerabilidade à violência dos jovens e incorpora na dimensão da violência entre jovens um indicador de desigualdade racial. De acordo com a pesquisa, o indicador é expresso pela razão entre a taxa de mortalidade violenta de jovens negros e a mortalidade de jovens brancos. Os valores mais próximos a 1 indicam maior proximidade da prevalência dessa mortalidade entre esses dois segmentos, independente da cor.

Nesta escala, a pesquisa coloca o Ceará com o quarto pior índice no Brasil, com coeficiente 0,502. É ultrapassado apenas por Alagoas (0,608), Paraíba, (0,517) e Pernambuco (0,506). “Os resultados refletem a tendência já verificada na última década de expressivo crescimento da violência, especialmente a letal, entre os estados do Nordeste”, contextualiza o estudo.

Nessa região, a taxa de homicídios entre jovens negros (87,0) é quase quatro vezes superior a de jovens brancos (17,4). Na sequência, apresenta-se a região Norte, com taxa de mortalidade por homicídios entre jovens negros de 72,5, ou 214% superior à taxa entre jovens brancos (23,1).

Ainda na região Nordeste, cuja diferença entre a mortalidade de jovens brancos e negros mostrou-se mais aguda na pesquisa, a maior taxa de homicídio entre jovens negros verificada foi em Alagoas (166,5), seguido da Paraíba (115,4), Bahia (104,9), Pernambuco (96,9), Rio Grande do Norte (92,7), Sergipe (89,4), Ceará (58,3), Maranhão (50,2) e Piauí (32,8). Segundo o levantamento, nos casos do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe, a diferença na taxa entre os grupos deve ser interpretada com cautela, pois o número absoluto entre os jovens brancos é inferior a 50.

Saiba mais

Relatório

O Relatório de Vulnerabilidade Juvenil à Violência tem por objetivo gerar insumos e indicadores para a formulação e implementação de políticas públicas que levem em consideração a incorporação de estratégias de prevenção e enfrentamento das altas taxas de violência observadas no país contra adolescentes e jovens entre 12 e 29 anos de idade.

Negros

A pesquisa ressalta que, em 2013, jovens negros foram 18,4% mais encarcerados e 30,5% mais vítimas de homicídios dos que os jovens brancos, segundo dados da 8ª Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2014).

Fonte: Jornal O Povo desta sexta-feira, 08/05

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