Ausência de crime de responsabilidade ficou novamente nítida na última sessão antes da votação do golpe

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Durante toda a noite de sábado (16) e madrugada de domingo (17), dezenas de deputados petistas se revezaram na tribuna da Câmara desfazendo os argumentos golpistas da oposição e apontando a farsa armada contra a Constituição e a democracia brasileira. Horas antes de começar a votação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, os deputados progressistas – do PT e de outros partidos – detalharam as falhas no processo e os reais motivos da tentativa de afastar Dilma: precarizar direitos trabalhistas, retroceder em conquistas sociais, agravar a crise econômica e comprometer a soberania nacional.

Reagindo a toda sorte de mentira e dissimulação, o povo, segundo a deputada Luizianne Lins (PT-CE), está nas ruas em defesa do mandato democrático que foi conferido à presidenta Dilma Rousseff por mais de 54 milhões de brasileiros. “Estamos vendo o povo reagindo contra esse golpe. Hoje, milhões de corações e mentes estão se pronunciando a favor da democracia. São combatentes democráticos que estão lutando de ponta a ponta neste Brasil”.

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) mostrou o legado ao País de todos os anos de trabalho dos governos petistas e disse que em nenhum outro momento da nossa história ocorreram tantos avanços, o que não justificaria a sanha odiosa da oposição. “Na verdade, o que está em jogo aqui é pura vingança, porque perderam as eleições, e têm medo de esperar 2018 e perder de novo. É vingança também do Eduardo Cunha, porque não demos a eles os votos no Conselho de Ética para salvá-lo”, detalhou o petista.

A deputada Ana Perugini (PT-SP) detalhou várias das conquistas promovidas pelos governos de Lula e de Dilma, que foram capazes de “mudar a ordem estabelecida por meio de uma política econômica inclusiva que distribuiu renda e fez o País crescer”. Citou ainda os grandes avanços com relação à educação, dando como exemplo a inclusão de mais de sete milhões de jovens no ensino superior. “Se a oposição quer governar, espere 2018 e ganhe as eleições, porque no grito é golpe”, afirmou.

O deputado Marco Maia (PT-RS), ao analisar o processo de impeachment, fez um paralelo entre os dois projetos que estão em disputa neste momento. Um deles é o projeto que inclui, o outro é o significa o aprofundamento da crise. Segundo o parlamentar, o projeto da oposição, que já foi descrito no programa “Ponte para o futuro”, representa entre outros retrocessos a precarização das relações de trabalho, que coloca o legislado sobre o negociado. “O povo brasileiro quer avanço e não a precarização da sua condição”, disse.

Ao também comparar os que defendem a democracia e os que ferem de morte a Constituição, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) revelou diferenças marcantes no modus operandi de legalistas e golpitas. “Nós nos emocionamos quando uma negra se forma em medicina, vocês odeiam as cotas raciais. Nós queremos jovens que respeitem a diversidade, vocês constroem uma geração de ódio. Nós exaltamos Lula, Dilma, Brizola; vocês escondem Aécio e têm vergonha de citar seus líderes”, comparou Pimenta.

Ele também perguntou – se dirigido aos oposicionistas – a quem eles acreditam enganar dizendo que pretendem tirar Dilma do governo para combater a corrupção. “Querem enganar a quem falando que vão combater a corrupção se aliando a Eduardo Cunha?”, citou. Pimenta seguiu ainda nas comparações: “Nós ensinamos nossos filhos a lerem livros, vocês ensinam seus filhos a lerem a Veja. Nós temos orgulho da nossa história, vocês entrarão para a história pela porta dos fundos, pela lata do lixo”.

O deputado Paulão (PT-AL) buscou na história recente do País a figura do líder Ulysses Guimarães, símbolo da democracia e da Constituição de 1988. Disse que ele, se estivesse vivo, se envergonharia dos rumos tomados por muitos de seus correligionários. “Certamente, sentiria vergonha da condução desse processo por Eduardo Cunha, que não a mínima condição moral de presidir a Câmara”, disse. Argumentou que, se existisse celeridade judicial, Cunha já deveria estar preso. “O senhor das Diretas, Ulysses Guimarães, foi o líder do Planalto, Cunha é o líder do pântano”, sentenciou.

O deputado Waldenor Pereira (PT-BA), ao detalhar todos os procedimentos da Operação Lava-Jato em dois anos de trabalho, afirmou que o aparto investigativo, ainda que focado no PT e nos governos Dilma e Lula, foi incapaz de encontrar algum indício que comprometesse a presidenta. “Dilma não ocultou contas no exterior, não recebeu propina e não atentou contra a Constituição”, lembrou. Em contraposição, disse: “Já quem conduz o seu processo de impeachment abriu contas no exterior e é réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha”.

Ao reforçar que o impeachment não tem base legal e que por isso mesmo configura um julgamento político, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) ressaltou que o que está em jogo no momento é a continuidade dos governos populares que deram vez e voz à população mais pobre, que historicamente foi excluída. “Pela primeira vez, jovens pobres e negros tiveram a oportunidade de estudar numa universidade”, exemplificou. Em direção contrária, mostrou que as forças que patrocinam o golpe “querem tirar recursos da saúde e da educação, querem privatizar a Petrobras”.

O deputado Luiz Couto (PT-PB) foi taxativo ao afirmar que o processo em curso é, sim, “um golpe sujo e baixo”. Argumentou que a oposição mente exageradamente e chega, inclusive, a usar o nome de Deus para tentar respaldar suas intenções. “Golpe baixo é o que vocês estão querendo fazer, mas vão ficar só no gostinho. Vocês agem por ódio e por vingança, como foi no início desse processo. Vamos vencer esse golpe sujo contra o povo brasileiro. Vamos enterrar esse golpe!”, prometeu.

Nesse processo rasteiro de mentira e de guerra de informação, o deputado Padre João (PT-MG) criticou a oposição pra usar o falso argumento de que o Tribunal de Contas da União (TCU) já teria analisado as contas de 2015 da presidenta Dilma e apontado irregularidades. “É triste dizer que o TCU já analisou as contas. Ele analisou só as de 2014. São as de 2015 que estão no processo”. Disse ainda que deputados da oposição tentam atribuir a pecha de “cara de pau” aos petistas, quando a adjetivação caberia com mais propriedade à maioria deles. “Cara de pau é tentar tirar o governo de uma mulher honesta e entregá-lo a um bandido, a um réu”, disse, fazendo referência a Eduardo Cunha.

“Dilma é integra e, por não pactuar com a corrupção, querem tirá-la da Presidência”, reforçou o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). Ele criticou a conduta hipócrita de muitos deputados da oposição de direita que falam da corrupção, mas silenciam sobre todos os escândalos em que estão envolvidos ou que envolvem seus aliados, como o “merendão” de São Paulo e a lista da Odebrecht, onde muitos deles estão lá citados. “A presidenta nunca interveio na Lava-Jato, e o que querem é um golpe para barrar a investigação”.

 

Fonte: PT na Câmara
Foto: Nilson Bastian/Agência Câmara

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