Nota pública sobre o golpe e sobre o PLC 257

5 Luizianne

Nosso país está às vésperas de uma das decisões políticas mais importantes de sua história: a votação, pelo Congresso Nacional, do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff . De um lado, as forças do atraso e da exclusão social, pautadas pelo ódio, pelo moralismo hipócrita e pelos interesses do grande capital internacional. Em que pese o fato de não haver nenhuma denúncia contra Dilma, ao contrário dos parlamentares que estão a decidir sua sorte como chefe de estado e chefe de governo – a maioria do quais respondendo a processos no Supremo Tribunal Federal -, essas forças do atraso têm ao seu lado a grande mídia corporativa e uma parcela partidarizada e seletiva do Judiciário e do Ministério Público. A meta é clara: um golpe parlamentar para usurpar o poder de uma presidente democraticamente vitoriosa nas urnas com mais de 54 milhões de votos.

Do outro lado dessa trincheira histórica, estão as forças progressistas, os defensores da democracia, artistas, intelectuais, juventude e movimentos populares, contagiando ruas, praças e avenidas numa emocionante campanha a favor da legalidade. Contra o golpismo, esses brasileiros e essas brasileiras só podem contar efetivamente uns com os outros, o que vem consolidando uma grande corrente de defesa das nossas liberdades democráticas, inspirada por um grande espírito solidário e fraterno a favor da inclusão social e das mudanças estruturais em nossa sociedade – que são as bandeiras primordiais dos governos petistas.

Que país teremos depois da votação do impeachment pelo Congresso Nacional é algo que só os parlamentares poderão responder. Poderemos, em caso de confirmação do golpe, voltar a ser o país da falta de oportunidades, da política econômica excludente, do preconceito, do desemprego, da desregulamentação dos direitos trabalhistas, da inércia no combate à corrupção, da entrega do nosso patrimônio. Ou poderemos, em caso de vitória da democracia, buscar uma saída da crise construindo um país mais justo, includente, que afirma ao mundo sua soberania, que distribui oportunidades de crescimento social e oferece políticas públicas de respeito e de amparo a seu povo, em suas mais diversas expressões étnicas, de gênero e de geração.

O impeachment, portanto, não é fim em si mesmo. O golpe é apenas o princípio de algo muito mais grave. Nesse sentido, estamos todos e todas do campo progressista a favor da presidente Dilma Rousseff, que foi eleita legitimamente com os votos de mais de 54 milhões brasileiros e contra quem, voltamos a ressaltar, não pesa nenhum crime. Entretanto, o governo Dilma, que certamente sairá vitorioso no próximo domingo, enterrando já na Câmara dos Deputados a marcha golpista, precisa se alinhar de vez a esse sonho de país que moveu sua vitoriosa campanha eleitoral e que, agora, diante da sabotagem da direita golpista, tem mobilizado milhões de democratas em todo o Brasil nessa grande frente a favor da democracia.

Assim, dizemos não a medidas como o projeto de lei complementar PLC 257/2016, enviado ao Congresso pelo governo no último mês de março e que trata do refinanciamento da dívida dos estados e do Distrito Federal. Em seu conjunto, o PLC propõe uma série de restrições como contrapartida para os estados que desejarem refinanciar suas dívidas – entre elas, por exemplo, suspensão dos aumentos para os servidores e da contratação de pessoal, suspensão da política de aumento real do salário mínimo e a entrega das estatais para privatização como garantia da amortização. Ou seja, coloca uma série de imposições que são frontalmente contrárias ao programa vencedor da campanha de 2014 e à voz das ruas que hoje pede não apenas mais democracia, mas também uma nova política econômica.

Portanto, vemos a proposta com muita preocupação e já manifestamos nossa posição contrária ao PLC. Seguimos acreditando que Dilma sairá vitoriosa dessa ardilosa tentativa de sabotagem de seu mandato, mas também defendemos que é hora de o governo dar uma guinada à esquerda, indo ao encontro das aspirações das ruas e dos trabalhadores e fazendo valer os valores programáticos que lhe levaram à presidência – e que lá lhe manterão.

Comente e participe!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s