Luizianne: turismo LGBT ajuda a combater a homofobia

Turismo LGBT

A Comissão de Turismo promoveu na tarde dessa quarta-feira uma audiência pública para discutir a importância do Turismo LGBT. A realização da audiência foi solicitada pelo mandato da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), através de requerimento à comissão, e contou com a participação de autoridades e especialistas no tema.

O objetivo, segundo Luizianne, era discutir o assunto não apenas em seu viés econômico – já que se trata de um setor com forte dinamismo financeiro -; mas também em sua perspectiva educativa, de promoção de direitos e de combate à homofobia. “Essa discussão do turismo LGBT traz muitos benefícios. Não só na economia, mas na sociedade como um todo. É um processo educativo, de aceitação, de respeito”, destacou. “Não apenas a questão de mais um nicho econômico, mas de educação para a diversidade sexual”.

Entre os participantes da audiência, estavam Symmy Larrat, coordenadora-geral de promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Rafaela Lehman, coordenadora substituta de programas de incentivo a viagens do Ministério do Turismo; e Rafael Felismino, coordenador-geral de acompanhamento de estruturação de produtos do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur); além de parlamentares como o deputado Jean Willys (PSOL-RJ).

Pela primeira vez, uma audiência da comissão contou também com participações por videoconferência. Com isso, mesmo à distância, a reunião pode contar com os depoimentos de Welton trindade, supervisor comercial  da Guiya Editora; e Marta Dalla Chiesa, presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat).

Diversidade – O turismo LGBT é um mercado que movimenta algo em torno de R$ 470 bilhões ao ano. De acordo com um estudo da agência World Travel Market, Brasil e Estados Unidos são os destinos mais procurados e, juntos, respondem por quase metade desse valor, faturando algo próximo de R$ 190 bilhões ao ano apenas com esse segmento de mercado. Somente no Brasil, há mais de 6.000 hotéis e albergues registrados em agências de viagens voltados ao público LGBT.

Para Rafaela Lehman, o turismo LGBT, além de ser uma ferramenta de inclusão, pode ser uma ferramenta de combate à homofobia. “Justamente por ser um turismo que legitima a diferença entre as pessoas, entre as culturas e a diversidade sexual”, destacou.

Em sua intervenção, Jean Willys defendeu que a presença de turistas LGBT no Brasil demanda políticas públicas que articulem os três níveis de poderes da federação – União, estados e municípios – para que seja possível pensar o tema em toda sua complexidade. “Há que se ter políticas públicas de proteção ao turista, mas também da comunidade que recebem esses turistas. Porque eles vêm para  se inserir nas comunidades mais amplas LGBT e nos terrítórios já estabelecidos por essas comunidades”, afirmou.

Representando a Embratur, Rafael Felismino destacou as preocupações do público LGBT na hora de escolher seu destino de ou de compra de pacote turístico. A primeira delas, segundo ele, é o cenário de discriminação do público LGBT, que é considerado por 87% dos turistas na hora da escolha da viagem. Em seguida, são as questões religiosas ligadas à liberdade LGBT, que influencia 77% dos turistas.

“Portanto, em pleno ano de 2015, essas são pautas que têm de ser discutidas no Brasil – a exemplo do que os países desenvolvidos e de mentalidade mais progressista já fizeram há vinte anos. Do contrário, nós não vamos avançar na busca e na conquista desse pública”, afirmou.

Círculo virtuoso – Luizianne destacou que a indústria do turismo LGBT inclui toda uma rede de serviços que contempla agências de viagem, cruzeiros, hotéis, restaurantes, centros de spa, clubes noturnos, além de agências publicitárias que produzem campanhas específicas para esse público. Segundo a parlamentar, a experiência tem mostrado que são clientes que têm alto poder aquisitivo, mas que também se mostram fieis aos prestadores de serviço que se apresentam favoráveis à causa gay.

“Por isso, esse é um mercado que, junto com suas demandas por serviços, traz consigo uma demanda por cordialidade, por tolerância e por cidadania”, afirmou. “As cidades brasileiras podem se beneficiar com esse segmento se adotarem práticas de gestão adequadas”.

Luizianne também destacou suas ações quando prefeita de Fortaleza. “Nós criamos a secretaria municipal de Turismo e, dentro das ações desenvolvidas nessa pasta, nós tivemos uma atenção especial com o setor LGBT”, afirmou. “Isso se traduzia, por exemplo, no apoio – financeiro e logístico – que nós dávamos às paradas LGBT. As paradas incrementaram de modo importante o turismo na Cidade e fizeram de Fortaleza um dos destinos mais procurados pela comunidade gay”.

Para Luizianne, o turismo LGBT cria um círculo virtuoso, capacitando os profissionais e os serviços da cidade para o atendimento desse público, que passa a vir em número cada vez maior, movimentando a economia, mas também criando espaços e estrutura de geração de cidadania.

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