Covid – 19 |  Luizianne defende adicional de insalubridade a trabalhadores

luizianne perfilA deputada Luizianne Lins (PT/CE) é coautora da proposta de Zé Airton (PT/CE) que garante adicional de insalubridade a servidores que estejam presencialmente em local de trabalho no período de isolamento social.

Para ter acesso ao direito, os trabalhadores precisam estar expostos a algum tipo de atividade que oferece perigo ou risco de vida durante o exercício de suas funções.

Pela proposta, o trabalhador que estiver nessa situação irá receber o adicional de 30% do salário base. Esse adicional será pago apenas a quem não recebe ainda o benefício.

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Dia do/a Trabalhador/a 2020: mensagem da deputada Luizianne Lins

Em reunião com governador Luizianne destaca urgência de ajuda a estados e municípios

Em reunião virtual recente da bancada de deputados do Ceará na Câmara Federal com o governador do Estado, Camilo Santana, a deputada federal Luizianne Lins avalia que foi um momento importante e bastante produtivo. Ela sugeriu a urgência de se aprovar no Senado o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 149/2019, para ajudar estados e municípios após a crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Esse projeto visa à recomposição para melhor do ICMS dos estados e ISS dos municípios. Mudança que, segundo a deputada, vem tendo resistência por parte do desgoverno Bolsonaro. “Nós precisamos ajudar os estados e municípios aprovando esse projeto que foi modificado para melhor na Câmara Federal. Ele é possível e viável e isso é muito importante para o pós-pandemia, porém ainda está pendente”, lembrou a parlamentar.

Luizianne também sugeriu ao governador que o estado invista na compra de equipamentos e EPIs (equipamentos de proteção individual) para garantir a segurança dos servidores públicos que estão na linha de frente. “Também colocamos que nesse momento difícil é fundamental evitar as disputas político-partidárias”.

Luizianne representa Câmara em reunião do Fórum de Prefeitos e Prefeitas no Congresso

luizianne_frases4A deputada federal Luizianne Lins participou esta semana, como representante da Câmara dos Deputados, de uma videoconferência realizada pelo Fórum de Prefeitos e Prefeitas no Congresso Nacional. A parlamentar reforçou a urgência de que o governo sancione logo a ampliação do auxílio emergencial para diversas categorias de trabalhadores. Também participaram da reunião o deputada Reginaldo Lopes (MG) e o senador Rogério Carvalho (SE), também do PT.

O Projeto de Lei 873/2020 já foi aprovado pela Câmara e pelo Senado, mas até agora o (des)presidente Bolsonaro ainda não sancionou. Profissionais autônomos de dezenas de categorias estão sem trabalhar e passando necessidade. “Essas pessoas são fundamentais em cidades de serviços, como é o caso de Fortaleza. E, para muita gente que R$ 600 é a diferença entre a vida e a morte”, enfatiza a deputada.

Belchior: abraços e canções

WhatsApp Image 2020-04-30 at 17.43.48Três anos de saudades, muitas histórias contadas e tantas outras que virão.

Abraços e canções, essa era a frase que Belchior gostava de escrever em seus autógrafos, que logo vinha seguida da grafia do seu nome, reconhecida em todo o país: Belchior. Nada mais significativo e representava tanto nosso eterno rapaz latino-americano. Abraços e canções. Abraços de corpos suados, de sensualidade, de beijos molhados, de camaradagem, de atenção, de generosidade com os e as fãs sem nenhuma discriminação. Canções, essa magia fantástica que penetra logo cedo a alma do nosso bardo, quer seja pelas ondas do rádio, pelo som das orquestras, ou no cinema, ode aquele feixe de luz e a fumaça azul faziam a cabeça de um cara do interior. Sim, do sertão, da sua, da minha, da nossa solidão. Aquele em que o guarda examinando o “3×4” da fotografia sorria, estranhando o lugar de onde muitas e muitos de nós saímos, dando ao Brasil nosso trabalho quase escravo, recebendo do Brasil muito menos que o merecido.

O interior ficou pequeno, nosso passarinho urbano já ganhava outros ares, era uma vez um cara do interior. A capital da província e o mar, que deslumbre! Eu vou ficar nessa cidade, não vou voltar para o sertão, o papo, o som dentro das noites. Mas a mente inquieta queria desvendar mais ainda o universo da mente, das pessoas, da solidão dessas nessas capitais. A filosofia, por caminhos sagrados, foi alcançada em um mosteiro, onde dentre outras coisas boas da vida, segundo o nosso próprio bardo, trovador eletrônico, se encontra algumas coisas boas da vida, dentre elas, o vinho, que mata a sede do corpo e da alma. Aquele universo ficou pequeno e a disputa eterna em sua alma, entre o “interior, interior, interior” e o movimento do tráfego, e das multidões sem rostos definidos, era vencida pela segunda. Agora, novos desafios, ser ou não ser, ou seria ter ou não ter?

Eternamente estudante, até parece que foi ontem. O diploma de sofrer de outra universidade, diploma que nunca veio. Vida, vida sua adolescente companheira, para que escola mais profunda, radical e demasiadamente humana? Mesmo assim, a medicina, tempos agitados de movimento estudantil, repressão, mas também loucura, chiclete e som. Logo, logo, mais uma decisão difícil. O violão ou o bisturi? A dúvida durou pouco, as palavras poéticas já esboçadas e de uma força cortante, como uma canção a palo seco, só com a força da voz, como lâmina já se fazia presente, não só no Bar do Anísio ou nos pátios da faculdade de medicina, nas calouradas, programas de auditório, em rádios e TVs da capital cearense ou onde mais pudesse cantar, onde houvesse espaço, tempo e algum modo de dizer não, tão necessário naqueles dias, como nos de hoje.

Com o pessoal, a capital da província já estava pequena para a sua fúria, sons, sonhos e pressa de viver. Cair no Sul, grande cidade, era o desejo, abrir os braços no Corcovado e gritar, na eletricidade daquelas cidades tão pesadas, mas não tanto quanto seu corpo e desejos, aqueles que a cabeça pensa e não que a alma deseja. E disso Newton já sabia. Ganhar o mundo, andar caminho errado, pela simples alegria de ser. Libertar a alma, o corpo e o espírito, coração, cabeça e estômago. Andar na noite, cantar nas noites dos cabarés e, claro, sucesso. O que é isso mesmo? Sucesso, grana e fama, são o meu tesão, entre os bárbaros da feira ser um reles conformista, nenhum supermercado satisfaz meu coração. É a honra, a glória, esta, sim, nos move, esta, sim, nos faz só um pouquinho abaixo dos anjos que Deus criou. Mas vida pisa devagar, morrer jovem, punhal de amor traído, não farei isso só para agradar o público, quero que a minha voz saia no carro e no altofalante. E Saiu.

A voz de Belchior, sua poesia, sua palavra cantada, como gostava de dizer, além da sua voz inigualável, ganhou o mundo em outras vozes. Grandes nomes da nossa música, dentre elas e elas Roberto, Elis, Jair, Jessé, Fagner, Ednardo, Erasmo, Los Hermanos, Engenheiros, Antonio Marcos, Vanusa, Gigliola Cinquetti, Daíra, Osvaldo, Nelson Gonçalves. Foram discos extraordinários, maravilhosos, alucinantes, alucinações musicais, canções atemporais, hinos de várias gerações. Sem querer entrar em uma disputa, mesmo entre seus parceiros de estrada, quem dera fosse um Chico, um Gil, um Caetano. E mesmo não sendo um queridinho da grande mídia, mesmo dos seus cadernos B, nosso rapaz latino seguiu seu caminho. É caminhando que faz o caminho, brincou de viver e nos brindou com uma das obras em língua portuguesa que mergulha no que há de mais radical, profundo da alma humana, seus dramas, prazeres, alegrias e perspectivas. Os caminhos certos ou errados de ontem ou mais recente é o que menos importa. O que realmente importa é que o ontem era jovem e novo hoje é antigo, e precisamos sempre rejuvenescer, pois amar e mudar as coisas, ontem, hoje e sempre deve nos interessar muito, muito mais.

Ainda como uma mina inexplorada, parte da obra de Belchior está aí para ser revisitada, conhecida e interpretada, milhares de vezes, por vários ângulos. Há três anos seu corpo voltou a terra. Sua alma ganhou mais ainda as alturas. Como um passarinho urbano e ao mesmo tempo uma ave do sertão, hoje, Belchior é desenhado, cantado, declamado e sendo reconhecido pelas novas e antigas gerações. Não foi nessa de morrer só para agradar, para se tornar lido e corrido. Gênio, mas não imortal de corpo. Sua alma não, esta se eterniza a cada dia quando sua canção rompe o que parece secreto, misterioso, conformado. Palavras, sons, a alegria de viver, a festa, a manutenção da eternidade da juventude, é o que importa. Abraços e canções, sempre existirão, sendo assim, Belchior também será eterno.

Belchior talvez tenha sido um dos artistas (cantores) que mais fez shows no país. Tinha uma agenda cheia. Não havia lugar ruim para suas apresentações. Clubes grandes e pequenos, casas noturnas, atos do 1º de Maio, no meio da rua. Como canta outro poeta, literalmente sempre esteve onde o povo estava. No entanto, e sem viver se lamentado, nosso rapaz latino, na opinião do missivista de mal traçadas linhas, merecia um maior reconhecimento da província. Um reconhecimento que, durante a gestão Fortaleza Bela, capitaneada pela então prefeita Luizianne Lins, amante e incentivadora da cultura em suas mais variadas manifestações, nosso trovador sempre teve o devido reconhecimento.
Vários aniversários da cidade, festivais de férias, exposições, enfim, nosso grande poeta sempre foi presença marcante na cidade que tanto amava. O sobralense cidadão do mundo, inclusive, se tornou cidadão de Fortaleza. Título outorgado e celebrado com maravilhosas e marcantes comemorações que tiveram amplo apoio da gestão Fortaleza Bela.

Antonio Carlos de Freitas Souza

Professor de Filosofia e livre estudioso da vida e obra de Belchior.