#8M2022: nós, mulheres, precisamos nos unir para reconstruir esse país e reescrever essa história

Luizianne Lins – deputada federal (PT/CE)

Tenho dito que esse é um ano desafiador para o povo brasileiro, mas, sobretudo, para nós, mulheres, que temos sofrido os piores impactos de um governo misógino, que vem retirando direitos e destruindo as políticas públicas duramente construídas por nossas mãos, mobilização, luta e participação política cotidiana. Nós, mulheres, na nossa pluralidade, no campo, na cidade, nas diversas comunidades, nas associações, nos partidos políticos, nos movimentos sociais vamos reconstruir esse país! E não digo por achar que é uma responsabilidade nossa, mas garantir mais mulheres na política é sim um papel de todas nós mulheres! Somos nós mulheres, no exercício pleno e sobrecarregado de multitarefas que desempenhamos na vida pública e privada, chefiando e cuidando das famílias, que sentimos o preço abusivo do gás, os impactos dos adoecidos pela pandemia, que saímos todos os dias em busca de alimento, cuidamos de outros lares e famílias…. Precisamos nos unir, unir nossa força, coragem, paixão e competências para reconstruir esse país e reescrever essa história. E vamos começar derrubando esse governo que não valoriza, nem respeita as mulheres. Nunca foi fácil, mas sempre estivemos na vanguarda de movimentos e lutas históricas.

Eu dizia, em 2002, que aquele ano era eleição de nossas vidas, mas, hoje, 20 anos depois, voltamos a viver o que conhecemos nos livros de história; 2022 passa a ser o mais importante processo eleitoral de nossas vidas! Celebramos 90 anos do voto feminino do Brasil, 100 anos da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a inauguração e organização da luta das mulheres sufragistas no Brasil, onde as mulheres sufragistas encamparam a luta pelo espaço e participação na política. É muito tempo de luta, mas uma conquista muito nova frente ao esforço enfrentado por elas. Para termos ideia, desde as primeiras parlamentares, Bertha Lutz, por exemplo, em 1934, já fazia a defesa e luta pela licença-maternidade, conquistada apenas na Constituição de 1988. São passos lentos, mas que precisamos celebrar e reforçar!

Mais que comemorar o direito de votar, é urgente fortalecer e incentivar o direito de ser votada, participar da política e conquistar espaços de poder. De sermos MAIS representando a maioria da população. Por um Brasil com mais mulheres na política, sem machismo, racismo e fome: este é o nosso lema deste 8M2022, e claro que isso só é possível sem o esse desgoverno genocida, misógino e racista.

Temos percebido um engajamento cada vez maior de coletivos de mulheres jogando luz sobre a importância da participação feminina nas instâncias de decisão. Vemos uma crescente mobilização nos partidos políticos, presenciamos um intenso debate sobre o tema nas instituições públicas. É claro que não posso deixar de citar que, nos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, tivemos incentivo e avanço, quando foi criada uma pasta específica para tratar dessa temática, quando várias mulheres assumiram ministérios e quando se construiu a Política e os Pactos de Enfrentamento à Violência, que promoveram autonomia e empoderamento das mulheres e, consequentemente, maior presença.

O PT é um partido que tem a paridade em suas esferas, fomos o primeiro partido a garantir essa representação, exatamente devido ao trabalho das mulheres militantes, mas o mundo, principalmente na política, é muito masculino e nada vem para nós que não seja como muita luta, determinação, discussão, tomada de consciência e poder de convencimento. Construímos o PT, elegemos a primeira presidenta da República, destituída por um golpe misógino orquestrado. Queremos dividir o poder, construir uma nova economia, com igualdade de oportunidades, respeito e valores humanitários.

A falta de acesso à educação, por exemplo, já foi (no passado) um impedimento para as mulheres ocuparem o serviço público, as academias, a ciência. Hoje, não mais. Hoje, as mulheres, por mérito, estão sendo aprovadas nos concursos, ocupando e dando show nesses espaços, mas queremos mais. Queremos o poder político e de decisão nas esferas partidárias, estar onde se garantam candidaturas viáveis, com financiamentos e acesso a fundo eleitorais. Do contrário, essas são questões que afastam as mulheres da participação política e fazem de tudo para nos convencer de que a política não é nosso lugar.

E, por isso, cito a importância de projetos como Elas por Elas, do PT, nesse processo, uma ferramenta poderosa, potente, que vem transformando a vida de muitas mulheres, formando e ajudando no resgate de autoestima, na construção das campanhas, no encorajamento e empoderamento. É de uma grandeza e capilaridade espetacular porque trabalha as mulheres na sua perspectiva individual. Falo da autonomia, da identidade de gênero, do feminismo, mas também da sororidade, do companheirismo, do profissionalismo e da chance real de se chegar lá com a luta e apoio coletivo. Portanto, a Secretaria de Mulheres do PT tem sido fundamental e uma grande parceira de nós, parlamentares eleitas, tanto na disputa política interna, quanto na construção de novos quadros para ampliar a participação das mulheres na política, no mundo e na vida.

Representação política

Somos mais da metade da população brasileira e, no Congresso, somos apenas 15% de seus membros. No Poder Executivo, entre prefeitas e governadoras, temos uma governadora no país, a nossa Fátima Bezerra (RN), uma prefeita da capital e seis vice-governadoras. Os números são evidências de uma sociedade patriarcal e misógina, amparada por preconceitos e falta de oportunidades para as mulheres.

Nas últimas eleições para vereadores/as, nós tivemos 16% de mulheres eleitas nas câmaras municipais. Isso é muito pouco, principalmente quando consideramos que há vários municípios em que não existe sequer uma mulher eleita. Não é possível que, nesses municípios, não haja nenhuma mulher interessada em tratar das questões da cidade, é muito difícil acreditar nisso. Precisamos, no mínimo, incentivar que mulheres votem em mulheres e que homens votem em mulheres também, que todas as pessoas votem em mulher, porque, quando chegamos no parlamento, não tratamos apenas de pautas femininas. Inclusive, infelizmente, temos mulheres que fazem o contrário. Nós discutimos pautas coletivas, trabalhistas, econômicas, mesmo que queiram nos excluir de temas mais polêmicos e complexos.

Gostaria ainda de chamar atenção para as diversas violências políticas que sofremos no parlamento, seja na esfera federal, mas, sobretudo, nas estaduais e municipais, que assistimos diariamente.

No ranking de representação feminina na política, nossa participação continua muito tímida, ocupamos a posição 134. Na América Latina, só o Haiti fica atrás do Brasil. Segundo o Instituto Patrícia Galvão, do jeito que está, nós só teremos igualdade entre homens e mulheres em 2118. Portanto, temos que começar a mudança agora. Ocupar as instâncias partidárias, acessar o fundo eleitoral, denunciar as candidaturas laranjas, defender as pautas femininas e a paridade, nos esforçarmos para aprovar a reserva de cadeiras para as mulheres (aprovado no Senado e não na Câmara – PEC 98/2015 e PL 1951/2021) e fortalecer programas como o ELAS POR ELAS, que vem DESPERTANDO A CONSCIÊNCIA CRÍTICA E FEMINISTA. Não basta ser mulher, é preciso LUTAR PELA LIBERDADE E AUTONOMIA DE TODAS AS MULHERES!

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