REPUDIAMOS OS ATAQUES COVARDES AOS POVOS DE TERREIRO DE ITAPIPOCA-CEARÁ

Dois terreiros foram atacados resultando em duas mortes e uma tentativa de homicídio. Pedimos providências para garantir a investigação, punindo os responsáveis.

CARTA DE REPÚDIO
Vimos por meio desta, informar e solicitar providências sobre dois casos de
ataque aos Povos de Terreiro de Itapipoca-Ceará, ocorridos na noite de 19 de
dezembro e na manhã de 20 de dezembro 2021.
Em menos de 12h, dois terreiros foram atacados violentamente, acarretando em
duas mortes e uma tentativa de homicídio. O Pai de Santo, Pedro Sousa dos
Santos, zelador da Casa do Caboclo Zé Pelintra das Almas, situada no bairro
Sanharão, foi abordado em sua casa, onde funciona seu terreiro, por volta das
22h por um sujeito que insistia que Pai Pedro o atendesse, e ao ser negado o
suposto atendimento pelo Pai Pedro, que explicou o motivo, o homem o
surpreendeu sacando uma arma e fazendo disparos pelas costas. No momento
dos disparos, o enteado do líder espiritual, Francisco Orleans Oliveira Filho (19
anos), tentou defendê-lo dos disparos, foi alvejado e não resistiu.
Na manhã seguinte, por volta das 6h, ao sair para o trabalho no Hospital São
Camilo, o Pai de Santo José Carlos de Souza Ferreira, foi surpreendido numa
rua próxima a sua casa por disparos de arma de fogo, e não resistiu.
O alerta que se ascende é que, toda essa violência que vitima pessoas de
terreiro em todo o Brasil, esteja ganhando forças no estado do Ceará com a
ascensão do Racismo Religioso e da intolerância. Sabemos que as
Comunidades de Terreiro, asseguradas como povo pela Convenção n° 169,
da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais, de 07 de Julho de 1989, são vítimas
de privação de direitos, ameaças e morte diariamente no país, e esses dois
casos não estão isolados.
Solicitamos às autoridades que garantam uma investigação séria e eficaz, dando
a devida atenção aos casos pelas características dos ataques, uma vez que se
trata de povos e comunidades tradicionais. Pedimos providências da Secretaria
de Segurança Pública do estado do Ceará, no sentido de acompanhar esses
casos e garantir a investigação, punindo os responsáveis para que a justiça seja
feita.
Não podemos deixar o sentimento de que a vida de pessoas negras, pobres e
de terreiro sejam descartáveis, sem importância, reforçando o estigma histórico
que define quem vive e quem morre baseada em crença, cor, gênero ou situação

social. E a justiça é fundamental para essa mudança acontecer e acabarmos
com o racismo e toda a barbárie que ele gera.


Itapipoca – Ce, 21 de dezembro de 2021
ASSINAM ESTA CARTA:


Coletivo Cultural IBILÉ;
Associação Afro-brasileira de Cultura ALAGBA, Fortaleza – CE;
Associação de Artes Cênicas de Itapipoca – AARTI;
Associação São Miguel, Fortaleza – CE;
Movimento Negro Unificado do Ceará – MNU;
União Espirita Cearense de Umbanda – UECUM, Itapipoca – CE;
Casas de Cultura Afro-Brasileira Ilê Axé Ogum Já, Itapipoca – CE;
Casa Caboclo Arranca Toco, Itapipoca – CE;
Casa Caboclo Zé Pelintra das Almas, Itapipoca –CE ;
Centro Espirita de Umbanda Maria Conga, Itapipoca-CE;
Conselho Municipal de Cultura de Itapipoca – CMC;
Terreiro Príncipe Gerson, Cruxati – Itapipoca;
Conselho de Promoção da Igualdade Racial de Itapipoca;
Terreiro Santo Antônio de Batalhas, Itapipoca-CE;
Conselho Indígena Tremembé de Itapipoca – CITI;
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – SINDSEP
Associação da Diversidade de Itapipoca – ADI;
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas – CONAQ;

Campanha Nacional Fazer Valer as Leis 10.639 e 11.645 – Ceará;
Federação dos Trabalhadores (as) no Serviço Público Municipal do Estado do
Ceará – FETAMCE;
Núcleo de estudos Afro-Brasileiros e Indígenas do IFCE Campus Itapipoca;
Colegiado de Ciências Sociais – FACEDI/UECE;
Torcida Organizada Vozão Antifascista, Fortaleza – CE;
Secretaria Municipal de Combate ao Racismo do PT, Itapipoca – CE;
Faculdade de Educação de Itapipoca – FACEDI/UECE;
Movimento Unificado das Mulheres Negras de Itapipoca – MUMI;
Pró – Reitoria de Extensão do Instituto Federal do Ceará;
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas – NEABI Campus Fortaleza,
Ceará;
Pastoral da Juventude da Diocese de Itapipoca;
GT de Juventudes da Rede de Agricultores/as Agroecológicos/as e Solidários/as
do Território Vales do Curu e Aracatiaçú;
Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu-ACBANTU,
Salvador – Bahia;
Rede de Comunidade da Diáspora Africana Pelo Direito Humano a AlimentaçãoRede KôDYA, Salvador – Bahia;
Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de
Matriz Africana – ARATRAMA;
Axɔ́súxwé Mina Gegi Fɔn Vodún Xɛ́byosɔ Toy Gbadɛ́
Associação de Desenvolvimento Sócio Cultural Toy Badé;
Ponto de Cultura Tambor de Mina: História, Memória e Tradição;
Unzó kwa Mpaanzu;
Associação Estadual Cultural de Direitos e Defesa dos Povos Ciganos, Minas
Gerais;

Associação de Preservação da Cultura Cigana do Estado do Ceará –
ASPRECCEC;
Associação Comunitária dos Povos Ciganos de Condado Paraíba – ASCOCIC;
Deputada Federal Luizianne Lins

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