Trump do fim do mundo 2

Em 2016 escrevemos um artigo (Trump do fim do mundo) denunciando o caráter misógino, racista e xenófobo que se inaugurava mais uma vez nos Estados Unidos da América do Norte com a eleição de Donald Trump. O pior não é Trump, o pior é a sociedade americana votar em Trump e tolerar todas as atrocidades cometidas pelos EUA em torno do mundo: as guerras, os deslocamentos de população, a miséria e a fome. Afinal, quem produz mais armas no mundo? Quem possui a maioria das ogivas nucleares? O império do dólar e das armas imposto contradiz os direitos republicanos e democráticos, tão venerados pelos americanos.

Recentemente foi noticiado pela imprensa mundial que os Estados Unidos puseram em prática a política de tolerância zero com os chamados imigrantes ilegais, gerando o horror de separar pais e filhos que os acompanham. Pela repercussão internacional, o governo americano recuou, mas mantém as pessoas em gaiolas semelhantes aos campos de concentração nazista, numa clara violação dos direitos humanos e direitos da criança e do adolescente.

Essa política de tolerância zero segue na contramão da história, visto que instituições internacionais que estudam as migrações mundiais consideram que EUA (antes de Trump), Canadá e Brasil são os países que melhor recebem migrantes. O próprio papa Francisco fala em dignidade humana ao receber pessoas necessitadas e que fogem da guerra, intolerância religiosa, desemprego e outros motivos diversos.

Até parece que a sociabilidade da nação americana não foi montada com as imigrações. A colônia de povoamento dos EUA inicia seu processo de industrialização com mão de obra europeia qualificada. Não lembram disso? Agora processa os imigrantes que buscam o sonho americano? É uma contradição histórica e uma negação de oportunidades, princípio básico do liberalismo, tão defendido nos EUA.

Ademais, seis estados americanos foram, literalmente, através de guerras, tomados do México, como a Califórnia, Nevada, Utah, Novo México, Arizona e Colorado, além de Louisiana e Flórida, usurpadas de França e Espanha. Ou seja, a sociabilidade americana foi forjada por ingleses, irlandeses, escoceses e escandinavos, que foram migrantes em momentos históricos americanos.

Nesse sentido, que providências tem tomado o governo brasileiro para proteger os seus, que providências tem tomado para proteger os povos da América Latina? Especialmente os mais pobres e desejosos do sonho impossível? Plantado na consciência das massas pelos próprios americanos.

Por essa crueldade Trump deve ser julgado por violação dos direitos internacionais, especificamente por violação dos direitos da criança e do adolescente, tanto na Organização dos Estados Americanos (OEA) quanto na Suprema Corte de Haia.

O trocadilho de que 09/11/2001 nos EUA se assemelha ao 11/09/2016 (eleição de Trump) não deveria ser levado na brincadeira, o amanhã não será o mesmo sem sociedades que rejeitem produção de armamentos, agrotóxicos, indústria farmacêutica paliativa e predomínio do capital financeiro. Outro mundo é possível desde que resgate a dimensão pública do estado, assegure renda mínima, reduza as jornadas de trabalho, taxe as intermediações financeiras especulativas, repense a lógica dos sistemas tributários regressivos, inclua os pobres no orçamento, facilite o acesso ao conhecimento e as tecnologias sustentáveis, democratize a comunicação e resgate a capacidade de planejamento público.

Luizianne Lins – Deputada federal (PT/CE)

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