Cultura do desmonte

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Estoril (crédito: Lia de Paula)

O que podemos esperar senão que as políticas públicas avancem? Em dois atos, o curso da cultura em nosso município nos preocupa.

1.Ao demitir boa parte dos funcionários da Vila das Artes, é o projeto que lançamos em 2005 que está ameaçado. Desapropriamos imóveis, elaboramos projetos arquitetônicos, planejamos a função de cada espaço, contratamos equipe. Em 2008, entregamos o primeiro dos três blocos funcionando. A Casa da Escola passou a abrigar os cursos já oferecidos, antes dispersos, e fomentou novas formações. Ali, no encontro das ruas 24 de Maio com Meton de Alencar, derrubamos os muros, expandimos.

Nos últimos quatro anos, no entanto, vimos um dos cursos mais vitais implantados – o Dançando na Escola – ser extinto. As aulas foram inicialmente suspensas e nunca retomadas. Em parceria com a Secretaria de Educação, havíamos adaptado salas, contratado professores qualificados, e levávamos aulas de dança para 1200 crianças da rede pública do município. Muitas das salas – com espelhos e barras – se transformaram em depósitos.

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Vila das Artes (crédito: Lia de Paula)

Acrescente a isso, a situação da Casa do Barão de Camocim. Patrimônio tombado, planejada por nós para funcionar como uma biblioteca, café e centro de artes visuais, passou recentemente por uma equivocada reforma – cujo trâmite desrespeitou o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico fundado por nós – para receber a Casa Cor. Como justificativa para a cessão do espaço para o evento, a atual gestão afirmou que o prédio seria entregue em condições de uso para a Vila das Artes. O casarão na rua General Sampaio, no entanto, fechou as portas em novembro junto com a mostra de decoração e arquitetura e segue sem atividades culturais. O destino que será dado aos imóveis gera ainda mais incerteza diante do anúncio do funcionamento da Setfor para o Estoril.

2.Transformar o Estoril numa sede administrativa é desconhecer a história da própria cidade. É engessar o espírito boêmio da charmosa Vila Morena. O prédio – tombado como patrimônio do município – precisa dialogar com a invenção, abrir suas portas. Restaurado e entregue em 2012, o Estoril sinalizava que novos ventos sopravam por ali, com o projeto Nova Praia de Iracema. Infelizmente, os prédios desapropriados estão abandonados. E agora corremos o risco de perder mais um espaço para burocracia.

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