Golpe é bandeira de uma elite branca e de direita

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O direito à manifestação é um dos fundamentos da democracia, que se fortalece sempre que a população vai às ruas exigir direitos. Entretanto, há manifestações que, por defender a quebra do próprio processo democrático, têm um caráter eminentemente golpista. E que também não falam de forma legítima e honesta ao conjunto da sociedade, mas levantam bandeiras de inegável apelo popular – como o suposto combate à corrupção, por exemplo – apenas para confundir a opinião pública e preservar tradicionais interesses classistas, de exclusão social e de defesa de privilégios. 

Essa, aliás, não é uma situação nova. A história, na verdade, é pródiga em episódios semelhantes. Desde o julgamento de Sócrates na Grécia antiga, passando pelo horror do nazismo e, no Brasil, pela deflagração do golpe militar em 1964, a rua e os espaços públicos foram usados como ferramentas de manipulação e de legitimação de projetos de poder que, de forma demagógica, legitimaram sua própria barbárie às custas de manifestações grandiosas contra os inimigos de conveniência: o “corrompimento da juventude”, no caso de Sócrates; o “inimigo judeu”, no caso dos nazistas; e a “corrupção” e o “comunismo”, no caso do Brasil de 64.

Na edição desta segunda-feira, 14, o jornal Folha de São Paulo divulgou uma pesquisa em que levantou o perfil dos manifestantes que saíram às ruas ontem em vários locais do País. Repetindo o resultado das demais manifestações contra Dilma ao longo de 2015, o Brasil que vestiu a camisa da CBF para ir protestar foi novamente um Brasil branco, de alta renda e que defende ideias de direita.

Os números são expressivos. Sobretudo, se considerados no contexto do conjunto geral da população brasileira. Cerca de 78% dos manifestantes, por exemplo, se disseram brancos (quando no Brasil, segundo o IBGE, são apenas 45% as pessoas que se declaram como tal). Entre os que pediam o impeachment de Dilma, 12% eram empresários (no restante da população, esse percentual mal chega a 2%), e metade ganha entre 5 e 20 salários mínimos (quando metade da população ganha até dois salários mínimos). Por fim, 60% dos entrevistados ontem acreditam que FHC foi o melhor presidente da história do Brasil, quando, no total da população brasileira, segundo dados de fevereiro de 2016 levantados pelo próprio Datafolha, esse percentual não chega a 15%.

Portanto, é fácil perceber o que está em jogo hoje no Brasil e quais os interesses que foram à rua ontem. No geral, os cartazes e as palavras de ordem revelaram a agenda golpista de uma elite hipócrita, manipulada pelos meios de comunicação de massa e por um judiciário de atuação seletiva (que age sistematicamente contra o PT e as forças de esquerda, nunca contra os donos da Casa Grande). Uma elite que nunca aceitou o Brasil da inclusão social, nunca admitiu um país com mais solidariedade e mais distribuição de oportunidades. Uma elite que nunca engoliu o país que o PT construiu ao longo de 13 anos dos governos Dilma e Lula.

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