Seminário vai celebrar a memória de Frei Tito

Tito

Em parceria com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), nós apresentaremos à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados um requerimento para a realização de um seminário em homenagem a Frei Tito de Alencar Lima, cearense torturado pela ditadura militar brasileira.

O evento, que será realizado na Assembleia Legislativa do Ceará, tem como objetivo promover a memória e o diálogo sobre a contribuição de um importante lutador social do povo brasileiro, que, em setembro deste ano, completaria 70 anos de vida. Frei Tito foi símbolo de orgulho para cearenses e brasileiros, lutando pela paz e pela justiça sem nunca perder a dignidade. A data de realização do seminário ainda será definida.

História

Nascido em Fortaleza-CE, no dia 14 de setembro de 1945, filho de Ildefonso Rodrigues Lima e Laura Alencar Lima, Frei Tito estudou no Colégio Estadual do Ceará (Liceu do Ceará) e participou da Juventude Estudantil Católica (JEC), ala jovem da Ação Católica.

Em 1968, foi preso durante o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP), com todos os congressistas. Em novembro de 1969, foi preso novamente, com Frei Betto e outros religiosos, sendo torturado ininterruptamente durante três dias pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, chefe do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Em dezembro de 1970, foi incluído entre os prisioneiros políticos trocados pelo embaixador suíço, Giovani Enrico Bücker, sequestrado pelo comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR); e, em 1971, exilou-se em Roma e, em seguida, em Paris, onde foi acolhido no convento Saint Jacques.

Em 10 de agosto de 1974, o corpo do Frei Tito de Alencar, brasileiro, foi encontrado pendurado numa árvore no interior da França onde vivia exilado. Tito era, à época, um jovem de apenas 25 anos.

Somente em março de 1983, com a abertura política, seus restos mortais retornaram ao Brasil. Acolhidos em solene liturgia na Catedral da Sé, em São Paulo, encontram-se hoje enterrados no cemitério São João Batista, em Fortaleza.

Memória

Como lembra o filósofo Vladimir Safatle, em prefácio do livro Um homem torturado, nos passos de Frei Tito de Alencar, de Leneide Duarte-Pron e Clarisse Meireles, o religioso cearense é uma das figuras mais importantes e ao mesmo tempo mais trágicas da resistência à ditadura militar. “Frade dominicano, preso e torturado junto com outros religiosos que deram apoio logístico à ALN de Carlos Marighella, Tito suicidou-se anos depois em um convento francês. A tortura havia conseguido quebrá-lo psicologicamente, transformando sua vida posterior em um inferno de delírios e alucinações”, defende.

Para Safatle, sua história é uma das representações “mais bem acabadas do engajamento da esquerda católica na luta contra as ditaduras latino-americanas, engajamento que foi apenas um capítulo da longa história de setores da Igreja Católica em sua aliança com movimentos operários e comunistas no século XX”.

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